A coleta e consolidação de dados de uma determinada população é sempre um precioso meio para aprendermos sobre novos comportamentos e necessidades. As aplicações responsáveis em estratégias públicas e privadas normalmente voltam-se em favor da própria população analisada. A discussão deve ir além da regulamentação da coleta e concentrar-se nos benefícios de suas aplicações para as pessoas.
Hoje, em São Paulo, graças a um acordo na regulamentação do Uber, o governo analisa os trajetos mais realizados pelos passageiros, incluindo o valor e tempo gasto com a deslocação. Com isso, é possível criar estratégias de mobilidade em determinadas regiões antes que o trânsito fique ainda mais caótico. É possível também perceber os impactos do aumento das opções de transporte coletivo na redução do número de carros nas ruas diariamente.
Em outro exemplo, aplicativos nativos dos iPhones Apple monitoram os movimentos dos usuários e o tempo de tela. Já há elementos suficientes para subsidiar programas de promoção de saúde pública de forma dirigida, em todo o mundo. Em outra perspectiva, a possibilidade de cada um visualizar os próprios hábitos é um importante passo para o aumento da consciência sobre o uso responsável do telemóvel e sobre a necessidade de praticar atividades físicas para uma vida mais saudável. É preciso associar os dados a gatilhos educativos de modo a engajar os indivíduos em uma jornada de saúde preventiva.
Em Guadalajara, está sendo feito um estudo sobre violência contra a mulher com a implantação de chips subcutâneos que detectam o constrangimento que sentem com o assédio sexual e a agressão doméstica. É possível compreender e até evitar o agravamento de situações de risco.
Em mais um caso que preocupa estudiosos em todo o mundo, a análise do perfil de adolescentes no Instagram pode identificar excesso de tempo de tela e orientar estratégias de combate à depressão, às drogas, entre outras epidemias da atualidade. A pergunta é: quem está processando essa informação?
Há que se olhar para a ampla utilidade pública das ferramentas de gestão de megadados, que permitem a análise de hábitos, comportamentos e necessidades. A questão agora é inserir na rotina de gestores de saúde, segurança e planejamento urbano o hábito de acessar e absorver essa enormidade de dados disponíveis, com visualizações amigáveis e tornar os programas públicos mais efetivos e aderentes.
Patrícia Cabral Santiago é empresária na área da análise de dados para o mercado e especialista em estudos de mercado e planejamento de comunicação e marketing, tendo 23 anos de atuação profissional. Já atuou em grandes jornais brasileiros, shopping center e, nos últimos 15 anos, em grandes agências de comunicação corporativa. É MBA em Marketing de Serviços pela ESPM. Vive em Portugal.
